segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

The disquiet of understanding

Thoughts arising
thin air of existence
stories building a life
No one really living it
the disquiet of understanding
struggling to stay at surface 
waves revolving around the ocean
drops of existence 
believing to be separate
Observing it
waking for the true nature of it
Silent witness 
It is simple
it is perfect
ever now
Just a mystery 
not suppose to solve it
but to embrace it fully
moment by moment.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Amor eterno

O verdadeiro amor nunca é vivido de verdade por inteiro. 
Existem pequenos pedaços que são vívidos ao longo do tempo. 
Cada relação é um pedaço de amor que começa sempre com juras de amor eterno. 
Este casal não era exceção. 
Procuravam no outro tornarem-se completos e de início isso parecia ocorrer. Tinham sido feitos um para o outro.
O amor é sempre eterno, enquanto dura.
Foram quase felizes, num sempre muito pequeno. 
No entanto a vida continua.

sábado, 15 de novembro de 2014

You are the one

Nothing more is needed beyond yourself
Without you there's no life, no world
Stop looking elsewhere
You are the one
No one can make you better than you are
Being as you truly are
Not as you think you are
Whatever you think you are
You are not it
Mind can not grasp the whole of you
And that is okay
Just enjoy the ride within this human experience
You are the one
Life is simple
Thinking about it, is complex
You are life, you are simply perfect as you are
Embrace silence
Let silence cuddle you



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Claro

Nada mais fácil do que ser quem se é, no entanto tendemos a complicar aquilo que somos através da ideia que criamos sobre quem somos. 
Ideia essa que nada tem a ver com o que somos de verdade. 
Nada do que pensamos que somos dita aquilo que somos em essência. Os pensamentos são ondulações que surgem nesse imenso oceano do existir. 
Observando com atenção tudo se torna claro. 
Querendo ser outra coisa  resulta num nada mais difícil.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Be silent in order to listen your Self

Sweet moment of truth
whenever I am present
being aware of awareness
This "I" is there but not as before
It is just another idea, among all others
A story evolving within the absolute
Silence witnesses it all
Silence embraces sounds, words
ideas
bodies
In silence life speaks loudly
Love is limitless
Be silent in order to listen your Self 

domingo, 19 de outubro de 2014

Now is perfect

Now is perfect to be yourself
In fact there's no other option
You are always you,
even when you think that you are something different,
You still you
This real you is perfect
Simply perfect
No words can describe the real you
You can only experience it
Being present now
This you is me also
You and me together now
No separation
Among this limited thoughts appearing now
The mystery of life slides
Flowing within love
Now is perfect to be yourself
Always now
Right on time

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Enganavas-te

Todos aqueles momentos em que esperei por ti, pela tua atenção e nunca estiveste lá.
Lembro-me demasiado bem disso!  
Sempre te dei o melhor de mim, nunca me escusei em desculpas, de forma a te evitar, ao contrário de ti. 
Lembro-me demasiado bem disso! 

Gostaria eu que te visses como eu te via naquele tempo. Eu via-te como és de verdade para lá das máscaras que usavas. 
Lembro-me demasiado bem disso! 
Na verdade só  enganavas a ti. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Escolho partir

Sempre que me dizias que me amavas
Eu acreditei
Quando dizias que não voltava a acontecer
Eu acreditei
O amor por ti impedia-me de ver
Escolhia acreditar
Alimentava a esperança que mudasses, por mim
Por ti
E no entanto tudo se repetia. Incessantemente.
Chega, acabou
Por te amar escolho partir, levo-te comigo
Boas recordações
Tudo o que fizeste de mau, esqueço
Escolho ser
Livre para viver, para amar. Sem medo
Sê feliz

Desejo que te reencontres. Ama-te.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Life is magic

Life is magic
This moment is magic
You are the magician
You are life
Grace wraps this human experience
You live in Grace
You are it
Within the mistery of the absolute
Within the perfectedness of this moment
You exist
Be aware
Aware of Grace present here and now
Life is magic
Spread your love
Spread your magic

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Preocupações deambulando pela mente

As preocupações deambulam pela minha mente, não consigo discernir onde começam ou terminam. Todo eu me encontro refletido em tais preocupações, onde quer que vá elas estão presentes. 
Já não sei se eu tenho essas preocupações, ou se são elas que me tem a mim. 
E no entanto aconteceu, um momento de pausa, e aí vi pela primeira vez essas preocupações são meros pensamentos que surgem em mim. 
Dissipam-se, fico ciente no nada em que se transformaram.

domingo, 7 de setembro de 2014

Home

Walking within a path of love
Every step, no matter the direction
Lead to love, pure love
I am that, I am love
I am you
Laughing out worries
All the stories believed to limit I
Just illusion
Watching them
Feeling the peace within
Sowing love
Time exist only to love
To love all
To love whole
Welcoming you in my arms
Wide open
Embracing the present moment
Welcome home

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Beyond

Now I can set my self free
Now I can choose to live life as it is 
In fact none of that is needed
There's no real I to do those things
This I is a illusion 
It is not what I think it is 
No one is thinking 
Thoughts occur within this unlimited space 
The I am that I am, in essence needs nothing 
Being aware of being aware 
How peaceful 
Spaciousness 
No boundaries 
Just presence 
Mystery unfolding just now 
Only now 
Being aware 
Peaceful awareness 
Beyond perfect, beyond all.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

BE

Be more happy
Be more
BE
Simplify your life
And you will realize that you have all
That you are whole
Dettach from all clutter
Watching thoughts arising
Watching thoughts
Watching
Awareness of love
Awareness of
Awareness

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Flow of love

Life in its wholeness is a mistery
You are it, you are life
Limited mind cannot grasp life
And it is okay
The human experience can only work within this illusion
of limitation, of separateness
No matter how you see it
No matter what you think
You still always as you are
Words cannot descrive your true nature
You need nothing
You lack nothing
Whatever happens in reality,
 be it perceived as bad or good
It won't last, all passes
Only you remain forever
Unchable, complete
You realize what you trully are
Being aware of being aware
Come what may in this human experience
Just be aware of it
Without attachment
In pure love
Loving what is
All of it
Is you
Flow of love.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Amor por inteiro

O amor
puro amor
verdadeiro
real
é livre, 
nada o condiciona
nenhum conceito o aprisiona
pessoa alguma o pode conter
o pode suster
Nada o diminui
ele tudo abrange, tudo inclui
Todas as ilusões de amar
todas as lágrimas derramadas
todas as juras quebradas e cobradas
As questões por responder
os porquês da vida, de uma ideia de vida
tudo acontece no regaço do amor, do puro amor
Cada pedaço de amor
é amor por inteiro
não existem acasos
acidentes da natureza
tudo tem o seu lugar
tudo é perfeito
no seu jeito único de amar
Simples o existir
tudo é amor
ou uma ilusão que clama por amor.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

No time

It takes no time to be as you are 
to wake-up to the true you
No effort is needed for you to realize
that you are enlightened 
that you are light
that you are love, pure love
Witness it now
be aware of that pure love energy
surrounding you
embracing the world.
You are life,
eternal life
no time is needed to await 
you are perfect now.
Within the silence
you find yourself
just observe all the noise, all the clutter
as human
it takes time for you to realize 
that there is no time.
It is okay
it is alright
It is as it is. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O amor encontrou-me

O amor
Será ele complicado?
Quando será ele suficiente?
Como saber quando isso acontece?
Todas essas dúvidas surgem em catadupa.
Quantas mais dúvidas surgem, mais parecem surgir
Não sei o que é o amor verdadeiro.
Será aquilo que sinto em mim amor de verdade?
Desisti de o entender, desisti de o encontrar. Desisti, chega.
E de repente tudo mudou, agora sei que não precisava procurar.

O amor encontrou-me a mim, sempre esteve comigo. E trouxe-te como presente.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cada momento é perfeito para amar

Cada momento é perfeito para amar
amar sem condições
sem reclamações
aceitando todos os defeitos
assim como todas as virtudes
Ambos são uma escolha minha
livre da tentativa de te fazer perfeita
descobri, que perfeita já és
tal como és neste momento
como pude estar cego para a beleza ímpar
que habita o teu interior
só olhava a superfície
e no entanto os olhos da alma clamavam por mim 
para que te visse de verdade
quando te vi pela primeira vez com eles
terminaram as dúvidas
a certeza do amor, puro amor
que somos
arrebatou meu coração
Cada momento é perfeito para amar

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Beijo a vida

Beijo a vida
no contorno de cada rosto
percorrendo a tua beleza interior
mergulhando nessa imensidão do existir.
Nada nos separa,
um fluxo de amor, puro amor no envolve 
Beijo a vida
Emoção sentida
floresce em mim
Agarro a vida pela mão
levo-a a passear.
Beijo a vida
Nada me falta
sinto-me pleno
sinto-me leve
Olhando a vida nos olhos
vejo um reflexo de mim
Sim, sim
A vida sou eu
não existe a vida e eu
ela não me acontece
toda ela sou eu,
nada fica excluído.
Beijo a vida
deixo-me ir
saboreando o presente.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ligeiro ponto

O fogo do amor prometido e nunca sentido deixara agora uma ferida aberta. Seria isso o início de uma vida sem sentido? 
Seria demasiado tarde para encontrar o amor verdadeiro?
Uma sensação de hesitação tomava conta de si, ele não sabia se o que havia pensado ser a verdade ainda o era. 
O conhecimento que acreditava ter parecia ter sido apagado, qual pano mágico, numa desforra cósmica, sendo ele um ligeiro ponto estanque na imensidão do absoluto.  

terça-feira, 17 de junho de 2014

Casar com a vida

Sacar o melhor em cada momento é casar de caras com a vida. 
A vida não é algo que te acontece, ela é aquilo que és. 
Não há lama que suje a tua alma. 
Os lemas que escolhes para a tua vida, selam os males que te permites experienciar. 
Carregas em ti o peso das memórias do teu passado, deixa que ele seja isso mesmo, passado. 
Liberta o peso dessa mala imaginária e descobre como és livre. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Eleito

Ela é uma pessoa muito reservada, mas para mim isso não é defeito é feitio.
Sendo reservada ela é serena. 
Adoro o efeito que essa calmia provoca em mim, sim porque aproveito cada momento partilhado com ela. 
Fui o seu eleito, ela diz que gosta de mim. 
Que privilégio que é viver ao lado de quem se ama. 
Ser aceite tal como somos, sem necessitar de máscaras que ajeitem a nossa imagem. 
Para puro deleite da alma. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

99

Bastaram 66 segundos para me apaixonar por ti. Fulminado pela tua presença, um turbilhão de sensações levaram-me para longe. 
Consegui levar-te comigo. 
Os tempos que dedicamos um ao outro realizaram-me plenamente. 
No entanto tudo se resume num número, 99, estes foram os meses da nossa relação. Colecionei-os todos na minha memória. 
É tudo o que me resta, já não te tenho a meu lado, eras a melhor parte da nossa relação. 
Um vazio tomou o teu lugar. 

Smooth sensation

Smooth sensation
Calmness moment 
Being observer 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Catadupa

As emoções surgem em catadupa, tomam conta de mim, deixo de ter espaço para me encontrar. Todo eu sou essas emoções e as sensações que elas acarretam, manifestam-se intensamente e as palavras atrapalham-se dentro de mim, procurando se libertar, procurando ser ouvidas. Mas não encontro maneira de as expressar, elas ficam presas, engasgadas na profundeza dessas emoções. Todo eu sou esse pulsar de emoções vivas, galopando cada pedaço do corpo. Deixei de lutar, entrego-me e apenas observo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Depois do fim

Depois do fim… afinal não acabou, o fim não existe, tal como pensava que ele seria.
Continuo sendo quem sou, apenas me libertei dos limites que julgava serem os meus.
Acreditava que a nossa relação me definia, que a minha vida girava em torno de ti, que eras o meu mundo. Eras o ar que alimentava o meu existir e quando me deixaste, o fim que tanto temia na verdade não me consumiu.
Descobri que sou livre.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

#65 Reflexo

Descolando da ideia de limitação, permitindo-se observar aquilo que se manifesta em cada momento, tudo aquilo que surge, sem restrições, apenas aceitando o que surge. O observador tornando-se ciente daquele que observa, sendo essa presença serena e plena.
Tudo é perfeito assim como é, tudo são reflexos surgindo ao longo dos diversos níveis de consciência. Sendo que estes níveis são meras perceções desses reflexos por forma a se relacionarem entre si, sendo todos eles parte desse todo que é indivisível, que não se fragmenta de verdade, mas permite a ilusão de fragmentação para se experienciar a si mesmo de diferentes perspetivas e dimensões.
A vida humana é uma dança de reflexos interagindo entre si, num jogo de limites procurando se expandir, procurando alargar a sua consciência ao encontro da verdade, da essência.
Sendo um jogo de sombras e luzes, um jogo de dualidade, pois são os contrastes que elevam o nível do jogo, que induzem um imergir total na experiência e a sua vivência plena. O ser humano é uma poesia da essência sublimando cada momento de forma única.
A finalidade do jogo é o jogo por si só, é a experiência por si só não existe um prémio final a alcançar. A finalidade deste jogo de dualidade é atingir a realização de que tudo é perfeito assim como é, a ilusão de que algo muda, que há uma evolução, é isso mesmo uma ilusão, não é aquilo que julgámos que é quando se pensa sobre o que é, quando se procura conhecer os porquês.
A ilusão é o motor do jogo, é o que alimenta o seu interesse, que potencia a sua experienciação, a sua vivência. 
E o jogo é verdadeiramente real para quem participa dele, a variedade de situações que ocorrem permitem testar totalmente os limites dos participantes desse jogo. Todas as sensações, todas as emoções, todos os pensamentos são reais. Neste jogo de ser humano foi dada a ferramenta de estar consciente parcialmente daquilo que é, crendo o ser humano que é apenas os limites do seu corpo e dos pensamentos que surgem a ele associados.O ser humano tem consciência de si mesmo. No entanto alguns desses seres humanos são levados a elevar o seu nível de consciência para que relembrem quem são de verdade, para que relembrem que estão a jogar um jogo, que é uma ilusão e que desse modo podem desfrutar em pleno desse jogo, servindo de exemplo para os restantes humanos que contactam. Esse exemplo é de que ocorra o que ocorrer tudo está bem, tudo é perfeito assim como é. 
Estes humanos mais conscientes do que é a sua essência, podem estar dentro do jogo totalmente, fazendo os mesmos percursos que os restantes mais iludidos, mas mostrando que o podem fazer em fluxo com a totalidade, plenamente conectados com o presente. Outros deste humanos mais conscientes demonstram uma experiência muito diversa do comum, como forma de despertar, pelos contrastes gritantes, aqueles que estão profundamente identificados com o jogo. Tendo estilos de vida que demonstram uma opção diversa da tida como normal.
Seja qual for a tua situação atual, sejam quais forem as tuas opções, tudo está bem assim como está. Mesmo que não o pareça e que desejes muito mudar. Essa mudança poderá ocorrer a partir do momento em que aceites aquilo que é este momento, em todas as suas dimensões e não apenas naquelas que te sejam mais simpáticas.
O que quer que mude no decorrer do jogo de cada um, isso só ocorre porque já foi aceite pelo próprio, já foi aceite pela sua essência. Nada ocorre por acaso.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

You are it

Fear unreal
Only love is real
You are it, love

Listen your heart

Listen your heart
It knows the true you
Let it guide you 

Inner light

Your inner light
Shines upon the world
Open your eyes

Peace of mind

Peace of mind
Abiding in the now
Wholeness present

Symbols

Words are symbols
Symbols of limitations
Just illusions

Need to change

Need to change
Observing the need
It wasn't real

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Liberdade individual

A liberdade de um povo começa acima de tudo pela liberdade individual. 
A liberdade individual necessita de uma revolução interna. 
Uma revolução interna que faz cair as crenças limitantes sobre quem és e descobres a tua voz. 
A tua voz é verdadeira quando resulta da tua essência, quando ouves os murmúrios latejantes da tua alma. 
Os murmúrios latejantes da tua alma procuram abrigo nas insatisfações externas para que despertes. 
Despertando contribuis para a liberdade de um povo.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Lack of love

Lack of love
Trying to find it without
It was always me

Within the dream

Within the dream
Just enjoying it all
Being present

I am not that

Thoughts arise
Limiting awareness
I am not that

Limited idea

Ego just is
A limited idea
Aware of it

Not real

Awakening
Noticing thinking
It was not real

Serenity

In serenity 
Observing it all now
Life occurs 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mystery of life

All emptiness
The mystery of life
Pure happiness

Abide in it

The true knowledge
Come from within
Abide in it

Here

Where do I find
It never been lost
Always here

Emptiness

There is no one
All emptiness here
Abiding peace 

Witnessing

Witnessing moment
Life experiencing
All is within me

Clouds

Clouds in the sky
Appearing. Disappearing.
Ever present 

Suffering

Suffering comes
Experiencing it all
Detachment 

sexta-feira, 28 de março de 2014

#64 Reflexo

A Sara estava empenhada em deixar de bloquear, de sabotar a vida que ocorria em si e para si. 
O seu nível de consciência atual permitia observar a sua realidade cada vez mais de uma forma mais desapegada daquilo que acontece momento a momento. Isto não significava que ela estivesse sempre em paz e aceitasse totalmente tudo o que acontecia, a verdadeira diferença estava na rapidez com que ela se permitia estar ciente das reações que se faziam manifestar quer no seu corpo, quer na mente.  Ao estar ciente dessas reações, ela tornava-se no seu observador e isso permitia que soubesse responder de um ponto de vista mais alargado aos acontecimentos e com respostas diferentes das que antes de ter iniciado este processo de autoconhecimento teria.
Nas situações que anteriormente a fariam perder a paciência, despoletar verdadeiros ataques de nervos, muitos dos quais eram amortecidos interiormente, sem os exteriorizar e que se iam acumulando dentro dela. Agora esse mesmo tipo de situações já não colocavam em causa quem ela era, mas apenas eram vistos como acontecimentos que ela teria de lidar no momento em que ocorriam e que ela tinha em si os recursos para lidar com eles.
Cada dia carregava momentos de novas descobertas, oportunidades de ver as coisas como que pela primeira vez. Na verdade era isso mesmo, pois os olhos que percecionavam a realidade eram diferentes dos que antes haviam visto tais locais, tais pessoas. Ao mudar a forma como se olham as coisas, as pessoas, isso fará com que essas coisas e pessoas mudem para quem as está a olhar. 
Com esta nova visão da realidade a Sara foi permitindo que as mudanças se fossem dando na sua vida, de um modo gradual, sem grandes acontecimentos de revelação, ou cheios de efeitos especiais como ela imaginava que teriam de ser as grandes mudanças de vida. Era isso que ela, antes desta nova consciência, esperava para a sua vida. Grandes acontecimentos que mudassem radicalmente a sua vida para muito melhor. Ela sabia agora que nada disso era necessário, pelo menos no seu caso, as pequenas mudanças que iam acontecendo, algumas muito subtis, na verdade haviam revolucionado a sua vida, a sua vida interior e como isso se notava também de muitas formas na sua realidade externa.
No desenrolar do tempo a sua vida passou por ajudar outras pessoas a se encontrarem consigo mesmas, a encetarem processos como o que ela encetara, sendo o seu exemplo uma referencia que ela usava como incentivo e espoleta das mudanças nas pessoas que a procuravam. 
A Sara passou também a colaborar com o Ricardo em alguns dos seus eventos, ela continuava a tê-lo como uma guru que a ajudava a centrar-se, a não se desviar do momento presente quando as dúvidas surgiam, pois de tempo a tempo elas surgem como teste à sua vontade e persistência.

terça-feira, 25 de março de 2014

Love is all

Focus in love
Becoming aware of it
Love is all

Quest

Quest for truth
Attention diverted 
No quest. All truth

Par

A lembrança de um belo par de sapatos que constituíram, não passava de uma mera memória. Antes eram uma equipa, agora resvalavam cada um para seu canto. O direito culpava o esquerdo, fazendo menção de lho recordar com frequência.
“A culpa é tua deste nosso abandono, se não tivesses quebrado o teu tacão devido a ficares pasmado olhando o sapato alheio, terias visto o buraco que pisaste.”
“É sempre a mesma conversa, eu já sarei tu continuas quebrado.”

sexta-feira, 21 de março de 2014

#63 Reflexo

"Essas situações que ocorrem na sua realidade, Sara, e que lhe mostram uma diferença relativamente ao que acontecia antes de ter iniciado este processo de autoconhecimento. Elas mostram apenas um novo olhar que se permite ter sobre quem é e que se reflete na sua realidade. Na medida em que for se conhecendo mais e mais, as provas dessa conexão à essência serão mais presentes até que chegue o momento em que deixe de ser necessário mais provas, em que deixe de ser necessário relembrar quem é de verdade. Quando ocorrer esse momento e será quando estiver preparada que ele aconteça, todas as dúvidas terminam, todas as questão se desvanecem. Pois os limites que acredita ter são libertados da ilusão, são visto como são realmente. A totalidade do sentido do que lhe estou a dizer neste momento não é entendido por si, nem pode ser. O que lhe estou a falar não é para ser entendido, compreendido intelectualmente, mas sim para ser experienciado. Só pela sua vivência do que é, o que é ilusório deixa de o ser."
"É isso que eu desejo que aconteça. É isso que eu confio e estou recetiva a ser guiada pela essência para que terminem todas as dúvidas, para que termine esta busca pelo saber, pelo conhecimento." Disse a Sara." Desejo que a dor não volte mais, que o sofrimento não me visite mais."
Interrompendo-a o Ricardo replicou, "Quando isso acontecer, o que não volta mais é esse desejo que não volte mais. Porque o sofrimento e a dor continuam a existir, o que não existe é a ilusão de alguém que sofre, alguém que tenha dor. Elas existem por si só neste espaço de consciência que é, onde cada uma destas ideias de limitação se manifesta. A experiência humana é feita de contrastes são estes que permitem a tomada de consciência da consciência de si mesma. A personalidade existe na essência e sem esta ela não existe, no entanto sem a personalidade a essência continua a existir. É a função destas ideias de limitação, destas personalidades através do inter-relacionamento tornar ciente a consciência de si mesma. Pois sendo ela perfeita apenas na sua fragmentação pode experienciar o prazer da descoberta da plenitude, da sua perfeição."
O silêncio quebrava o diálogo e libertava espaço para que o seu efeito dissipasse a desatenção. Mergulhando no silêncio era permitido observar o ruído interno, os rumores dos pensamentos fazendo-se insurgir, vagueando pela mente. 
Os olhares daqueles dois seres perscrutavam um ao outro, num aconchego já familiar, porque na verdade qualquer diálogo entre dois humanos, não é senão um monólogo da essência.
A energia emanada por eles já não oferecia resistência no seu encontro, de facto a maior conversação entre eles era o que acontecia fora das palavras. As palavras por si só são uma distração, são uma barreira para manter o outro à distância e levá-lo a centrar-se na sua realidade externa.
Quando o poder do silêncio impera os ruídos da separação cessam, o amor essencial mostrasse presente e tudo flui livremente.
Banhados nesse silêncio, nessa energia de puro amor e sem trocarem mais palavras, termina a sessão. Despedem-se com uma abraço e de seguida Sara retira-se para o exterior da casa envolta nessa conexão ao todo, apreciando tudo ao seu redor como se pela primeira vez. 
As cores ganham um novo brilho, uma tonalidade mais intensa, mais vibrante. Ela toma consciência da vida que gravita em seu entorno, que gravita em si, ela é tudo isso. As barreiras que pareciam existir entre ela e a sua realidade, não existem mais. Era quebrada a ilusão de pequenez, a ilusão de uma relação dela com o mundo. Sabia agora que sempre se relacionou consigo mesma. Que tudo é simplesmente perfeito assim como é. Deixando cair os conceitos as ilusões terminam, eram os conceitos que colavam os pedaços da personalidade, eram a cola da separação.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Drop

Drop by drop
Feel the perfume of life
The absolute 

Little

Little by little
Life happening just now
Cause and effect 

Karma

Karma means action
Action happens only now
Detachment 

Delusion

Let go delusion
The world is as it is
Be present now

Resting

Being aware
Resting in silence
In wholeness 

Awakened

Letting go thoughts 
Buda, the one awakened
Enlightenment 

Home at last

Serene formless 
Seeing the world as it is
Home at last

segunda-feira, 17 de março de 2014

#62 Reflexo

Após mais uma sessão com o Ricardo onde a Sara expressou todas as mudanças que havia experienciado em si. Onde ela descreveu como se sentia uma nova pessoa, como achava que os olhos que viam a realidade em que estava inserida não eram os mesmos que viam a realidade anterior ao início deste seu processo de descoberta pessoal. Desta aventura pelos vales interiores da personalidade que julgava ser a sua. Desbravando caminhos inconscientes e que lhe permitiram aceder  a dimensões diferentes sobre quem ela é e sobre o seu papel, naquilo a que chamamos de vida humana.
Ela partilhou que tinha momentos onde as dúvidas cessavam, onde a plenitude daquilo que ela é, em essência, se tornavam conscientes em si. Sendo no entanto, ainda de breve duração. No entanto uma serenidade começava a estar cada vez mais presente em si e de algum modo ela sentia que também já se fazia reflectir na sua realidade externa, quer nas pessoas com quem lidava diariamente, quer nos ambientes em que ela se movimentava. Mesmo as peças artesanais que fazia parecia que tinham mais procura, uma maior aceitação pelas pessoas que as viam.
Após esta descrição o Ricardo disse-lhe "na verdade aquilo que mudou foi o modo como a Sara passou a lidar e a percecionar com todas essas situações que descreveu. Mudando a forma como vê as coisas ao seu redor, essas coisas mudam para si. E no entanto elas continuam sendo como sempre foram. Mesmo aquelas pessoas que aparentam ter comportamentos diferentes connosco, elas continuam a ser como sempre foram. O que ocorre é que a nossa mudança pode despertar um contacto dessas pessoas com aspectos seus que estavam dormentes, inconscientes nelas e que ao estarem em contacto com a nossa nova perceção, o nosso nível de consciência, faça tornar ciente nelas aquilo que já lá existia em potência. Relembro aquilo que já lhe havia dito, a essência é perfeita assim como é, ela é plena, logo nada tem a mudar. E nós somos isso. No entanto aquilo que nos habituamos a crer ser, é uma ideia limitada daquilo que somos em essência. E essa ideia limitada, o ego, esse sim pode mudar. Esse sim é passível de mudar, na verdade a mudança é a única constante de um ser humano. Desde que nasce até que termina a sua experiência humana, a mudança está sempre presente. O corpo que tanto prezamos passa por inúmeras mudanças ao longo dos anos de vida."
Após um momento de silêncio partilhado pelo olhar, Ricardo continuo dizendo " Aquilo que já atingiu com o seu nível de consciência mais amplo, com o elevar desse nível, não significa um fim de linha. Não representa um fim de processo, mas sim um começo de algo de novo para si enquanto ser humano. Ou seja, o que lhe quero dizer é que a sua realidade continua a acontecer de igual modo, as contas para pagar continuam a existir, as pessoas que lhe são próximas continuam a existir, os momentos de desafio, os momentos de tristeza, de alegria, continuam a existir. A vida em pleno continua a existir, aquilo que vai mudando é a sua relação com a sua realidade. Aquilo que antes era visto como sendo fulcral, como sendo definitivo para a pessoa que acreditava ser, é que perde esse estatuto. Quanto mais consciente da sua verdadeira natureza, mais recetiva está ao que quer que a vida lhe presenteie sabendo que nada do que ocorra belisca o que quer que seja a sua essência. Passa a desfrutar da realidade como ela é e cada vez mais ciente da sua conexão com o todo, com todas as pessoas que existem e que entram em contacto consigo, mesmo pessoas que não conhece de lado nenhum, beneficiam dessa sua nova consciência, precisamente devido a essa ligação ao todo, à unicidade."
" Sim, aquilo que acabou de descrever faz todo o sentido para mim. Sinto que já mudou muita coisa em mim, mas que ainda estou apenas a levantar uma ponta do véu. No entanto como lhe descrevi esta serenidade está cada vez mais presente em mim, como que num estado latente e por vezes mais presente, e uma confiança surge em mim de que aconteça o que acontecer, tudo está bem. Quando antes à mais pequena contrariedade um turbilhão de pensamentos inundava a minha mente e como que ficava paralisada, assoberbada por esses pensamentos e tudo ficava condicionado por esse estado de espírito. Agora sinto-me mais leve, mais livre, mais positiva perante a vida, mesmo nos momentos que antes imediatamente faziam disparar os meus alarmes, como por exemplo os comentários da minha mãe. Na semana passada quando estávamos a almoçar e ela veio com os seus comentários do costume sobre assentar e criar família, o que aconteceu foi que eu me permiti ouvir aquilo que ela me dizia, sem julgar, sem rejeitar aquilo que ela me estava a dizer e com pensamentos críticos sobre ela, mas apenas ouvindo com atenção, olhando-a nos olhos. E pensando para mim como eu a amava e como sentia que ela me amava também, que ela queria o meu bem e que fazia apenas aquilo que ela achava ser o seu melhor de acordo com o seu nível de consciência. O resultado foi um almoço muito sereno, sem amuos, sem comentários desagradáveis. Este é um exemplo de alguns episódios que tem acontecido no meu dia-a-dia."
"Muito bem, e verá que esse tipo de situações serão mais frequentes, à medida que se for entregando ao presente como ele é. Na medida em que se aceitar plenamente em todas as suas dimensões, em todas as manifestações de vida que acontecem em si. Pois a Sara, tal como eu, é vida, esta não é algo que nos acontece por acaso, mas sim aquilo que somos na totalidade. Nada sendo excluído, nada sendo rejeitado."

segunda-feira, 10 de março de 2014

The witness

Pure presence
The witness of all things
Occurring now

Parti

Quando procuro por ti não te encontro, nem sempre estás lá.
Quando estás presente, nem sempre estás inteira, sinto que vagueias demoradamente.
Quando encontro os teus olhos, os meus brilham. Os teus não.
Quando o coração pulsa por ti, o desejo desperta. Pura imaginação.
Quando te dou o melhor de mim, não te é suficiente.
Quando procuro agradar-te, fazendo-te as vontades, desdenhas logo do que faço.

Quando reparaste no quanto te dei, já não estava lá. Parti.

sexta-feira, 7 de março de 2014

#61 Reflexo

A vontade de conhecer a verdade, de se conhecer de verdade, levava a um esforço continuado da Sara, para conseguir atingir tal estado. Mais do que um esforço, no sentido de obrigação, de algo que se faz porque se tem de fazer. Ela fazia-o porque era o seu desejo, ela já havia experienciado pequenos momentos de conexão com esse todo que era a essência. Mas aquilo que ela procurava era suplantar as barreiras criadas que a impediam de manter essa conexão e em vez de fugazes conexões, ela procurava a eternidade presente em cada momento. 
Tal como o Ricardo lhe havia recomendado ela praticava o auto-inquérito, interrogando-se sobre as verdades que tinha como certas e que desde que havia iniciado este processo de busca de si mesma, se haviam esfumado. O que antes era inquestionável, agora já não permanecia igual. Aquilo que era a ideia que possuía sobre si, sobre quem era e o que era esperado dela. Quer aquilo que ela acreditava que necessitava, quer aquilo que as pessoas que compunham a sua vida lhe lembravam ser suposto ocorrer na normalidade da vida de cada um de nós. 
A certeza dos trajetos que é suposto serem caminhados por cada ser humano, enquanto identidade insofismável daquilo que nos define enquanto tal.
No entanto a Sara já havia suplantado os cânones dessa suposta normalidade, já não sofria por não se ver a percorrer esse caminho do esperado. De se entregar ao lusco fusco do dia-a-dia da vida humana. Dos percursos casa-trabalho-casa, da criação de família e respectivo seguimento. Sendo mais um elemento, mais uma peça dessa engrenagem de autómatos com destinos traçados e sem vontades reais para lá das superficiais alinhadas num materialismo.
Sara havia atingido um ponto sem retorno, o seu nível de consciência tinha sido esticado a um ponto que não permitia encolher ao formato anterior, ao estado de dormência anterior. Já não voltaria a fechar os olhos para aquilo que era já evidente em si, para aquilo que assomava em cada milímetro do seu ser. Nenhum limite poderia conter aquilo que não tem contenção. Nenhuma definição era suficiente para descrever a plenitude do existir e que ela já havia saboreado. Depois de tomado o gosto, depois de um vislumbre do despertar, nenhum sono se permite estabelecer que contente os limites da suposta normalidade humana.
A forma como ela procurava imergir na essência era através da observação, tal como desafiara o Ricardo, observar o que surgia em cada momento. Sem dogmas, sem certezas, sem rejeições. Apenas presente, totalmente disponível para aceitar o que se manifestasse. Apenas observando.
Ela tinha tomada a decisão de deixar alimentar a história, dessa personalidade conhecida por Sara, através de um reviver constante das memórias de um passado que não tinha sido a perfeição que então julgava ser necessário. O passado existe apenas sob a forma de memória, sob a forma de pensamento que se manifesta no momento presente. E quando estamos focados em alimentar essa história, na verdade aquilo que fazemos é limitar a nossa perceção sobre aquilo que somos de verdade. Alimentar a história dessa personalidade que acreditamos ser, é ficar prisioneiro dos pensamentos, é colar nessa teia e deixar de ver que somos o espaço onde ela é tecida e não a teia em si.
Perante o seu atual nível de consciência a Sara sabia que essa personalidade já não a limitando era no entanto útil para vivenciar a experiência humana que estava vivendo. Sabia que livrando-se das grilhetas dessa história limitante, se podia permitir agora desfrutar em pleno esta experiência humana, tal como ela se apresentasse, sem com isso crer que de alguma forma poderia molestar o que quer que fosse a sua essência.
Essa certeza resultava no reconhecimento de um serenidade que não era imposta, uma serenidade que não era procurada desesperadamente, como fizera em grande parte da sua vida. Mas sim uma serenidade que sempre esteve presente, que é anterior a qualquer manifestação nesta sua experiência humana e que continuaria a estar presente quando esta terminasse.
Com tal serenidade a Sara sabia que se podia abandonar a viver a sua realidade humana com todas as imperfeições que lhe são inerentes. Deixando de se criticar impiedosamente e com constante medo sobre o que os outros poderiam pensar, deixar de procurar agradar os outros e fazer o que era esperado que fizesse no cumprimento do seu papel enquanto mulher na sociedade atual.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Immeasurable

Abiding love
Filled with wonder
Immeasurable 

You are the one

Illusions appear
Only love is real
You are the one

Despertar

Tudo aqui tem que ter uma tensão. Nem todos porém, tencionam mostrar-se totalmente neste torpor. Sem todavia, dizer tudo o que tendem pensar, todos são temerosos da tentação alheia. 
Teresa mostra ter noção total da tentação provocada, tácito silêncio, tabu negado, testemunha realidade.  Tal beleza toca intimamente. 
Titubeantes reações tentam negar tal certeza. Teresa, marca transcendental, que tutela a tentação e turbina desejos. Turbilhão emocional tocando aqueles tungados nessa teia idílica, truculência inacessível. Tranquilamente parte, triste despertar.  


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

#60 Reflexo

Para ser aquilo que é a realidade não necessita se esforçar, a realidade que habita cada ser humano é independente das suas vontades conscientes ou inconscientes. A realidade, a vida que se manifesta em cada pedaço da existência é perfeita e simples, assim como é. Ela não julga, ela nada exclui, tudo é integrado.
No jogo do ego a ideia de limitação, a ideia da dualidade sempre perene, é condição necessária à tomada de consciência da consciência de si mesma. A vida que é perfeita e imutável só através da dualidade se torna ciente de si mesma. E nessa dualidade é o jogo do ego que a torna possível, consubstanciada nas diversas relações que se estabelecem entre essas diferentes ideias de limitação personalizadas em cada ser humano. Estes são reflexos da essência, da vida plena e como tal são perfeitos por natureza, ainda que na perceção limitada de cada um desses reflexos, possam julgar os restantes reflexos como imperfeitos, como incompletos. É no jogo desses egos, na sua interação que se estabelecem as condições perfeitas ao desenrolar das estórias que levem ao clímax da descoberta da verdade última, do relembrar da verdade da perfeição e plenitude da essência, da vida como um todo.
Todas estas personalidades, todos estes seres humanos e restantes seres vivos são biliões de reflexos da essência, da vida, são diferentes pontos de vista da essência sobre si mesma e todos esses reflexos são temporários, eles vem e vão, começam e acabam, para que esses diferentes pontos de vista sejam sempre novos, sejam sempre diferentes. 
Cada ser humano sendo consciente da sua existência, da noção de estar vivos são parte integrante da vida, eles são a vida e não algo que surge na vida. A vida de cada ser humano não é algo que aconteça de fora para dentro, algo que lhe seja exterior, mas sim algo que ele é em todas as suas dimensões, sem exceção. Ainda que não tenha disso consciência, ele não deixa de ser vida em plenitude. E o não ter consciência faz parte deste jogo de dualidade, pois não poderia existir o alto se não houvesse o baixo, não haveria o grande se não houvesse o pequeno. Só existe a noção de ligado pelo contraste do desligado, do conectado pela junção ao desconectado. Assim se aplica a todas as manifestações neste jogo de dualidade. O objetivo não é quebrar esse jogo, deixar de o jogar, mas sim aprender a desfrutar dele, a aceitar que ele é assim. E que assim sendo é perfeito. A ideia não é matar o ego, vendo-o como a raiz de todos os males e sofrimento do mundo, mas sim, integrar esse ego, essa ideia de limitação deixando de se apegar a esses limites. Desfrutando assim da aprendizagem que advém desse diferentes pontos de vista dessa imensa vida que todos somos, sem exceção. Cada ponto de vista é uma nova visão consciente, ainda que parcial do todo, e que serve de aprendizagem para todos os outros que com ele contactam, seja por muito ou pouco tempo.
Essa visão limitada do todo permite o prazer da descoberta, o deslumbramento do novo, permite a expansão do nível de consciência na direção da essência.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Remember love

Let go of story
Come back to life
Remember love

As it is

Without concepts
Freedom to be as it is
Seizing it all

Limited idea

Doubts arising
Limited idea
No boundaries 

Seeing clear now

Inner shadowing 
Light lite my path
Seeing clear now

Just thought

What I think
It's just thought also
Observing it

Nome próprio

Podemos compreender a vida como um imenso emaranhado de acontecimentos todos ligados entre si. Qual arame farpado com as suas arestas cortantes e gritantes quando nos enroscamos nela. Nesta existência o apelido ficou preso no arame farpado, ele representa senão um ponto de separação de algo que é indivisível em essência. Deixemos as farpas criar a ilusão de solidão, desviando a nossa atenção para a dor contida num nome próprio. Nada no entanto retira brilho da luz.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

#59 Reflexo

Daniela estava decidida a viver de verdade a sua vida e não apenas uma versão limitada da mesma. Um versão condicionada pelo medo de perder o controle, de deixar de ser quem é, porque de verdade quem achava ser não é senão uma versão limitada daquilo que é em essência. Imbuída de uma nova perceção sobre si, tendo ao final de todas estas sessões com o Ricardo e todo o trabalho reflexivo que encetou em si resultado num elevar do seu nível de consciência. Ela tinha agora uma perspetiva diferente da sua realidade, onde antes via limites, via condicionantes, hoje ela sabe que nada a limita, nada a condiciona a não ser a sua relação com a realidade, a forma como ela interpreta essa realidade. Realidade essa que não existe fora dela, não existe separada daquilo que ela é.
Ela estava decidia a agregar cada pedaço de si, a não excluir nada. Tudo aquilo que ela via como o seu lado sombra, como algo que preferia não lidar, que preferia esquecer, era agora algo que iria olhar de frente por forma a integrar em si, na sua vida, por forma a deixar de ser prisioneira daquilo que procurava ignorar.
Havia decidido passar mais tempo com a sua irmã, aceitando-a como ela é, vivendo num mundo que era o dela e que a Daniela sabia que não tinha o direito de a mudar, de condicionar o seu mundo, mas sim aceitar essa realidade, aprender com ela através da forma como ainda mexia com ela e trabalhar em si, todas essas sensações, todas essas emoções. Pois aquilo que dependia apenas de si era a forma como escolhia lidar com essa situação. Em vez de a renegar como sempre tinha feito, com medo de perder a sua identidade, podia agora escolher de novo, e com uma nova consciência olhar para a situação tal como ela é e desse modo descobrir quem a irmã era de verdade e não como tinha desejado que fosse.
Assim como finalmente as amarras do medo se haviam levantado e podia agora imaginar na sua vida espaço para a existência de crianças, sem medo de que possam nascer com qualquer tipo de doenças, confiando que o que quer que seja será para o seu bem, será sempre pelo melhor. 
As dúvidas que a haviam atormentado e que a tinha feito adotar uma atitude que poderia ser vista pelo outros como de alguma sobranceria, era a forma que tinha encontrado para lidar com esse medo de perda de controle, de perda de indentidade. Para se resguardar ela havia recusado correr riscos, havia-se confinado à sua zona de conforto que pudesse controlar ainda que isso significasse recusar viver muitas experiências que vida lhe propunha. Mas essa fase tinha terminado agora ela sabia que podia abandonar a prisão do conhecido, deixar a sua zona de conforto e arriscar no desconhecido. Agora tinha confiança na vida que existe em si e todas as coisas que a rodeiam.
Um ano depois desta última consulta com o Ricardo ela vivia feliz os desafios que a vida lhe colocava e que por vezes a faziam sentir triste e momentos de incerteza, mas a única certeza que tinha era que estava preparada para lidar com o que quer que viesse. E foi isso mesmo que a fazia nesse momento amar e cuidar do seu filho recém nascido, porque ela sabia que não podia controlar tudo o que acontecia, mas podia desfrutar em pleno cada momento da vida,tal como ela é. Não sentira mais necessidade de saber mais sobre si, de se conhecer melhor, não tinha pretensões de evoluir a sua consciência. Estava decidida a abraçar a vida tal como ela se apresentasse, sem necessidade de saber os porquês, sem ter de perceber tudo. Apenas vivia o presente tal como ele era.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Life occurring

Life occurring
I am all that appears 
Blissful enjoy 

Doubts

Doubts come in
Witnessing happens
Pure awareness 

Mystery of life

All emptiness
The mystery of life
Pure happiness 

From within

The true knowledge 
Come from within
Abide in it 

Always here

Where do I find?
It never been lost
Always here 

There is no one

There is no one
All emptiness here
Abiding peace

Witnessing

Witnessing moment
Life experiencing
All is within me 

Clouds

Clouds in the sky
Appearing. Disappearing
Ever present 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

#58 Reflexo

"Neste momento eu tenho ciente as mudanças que já ocorreram em mim, tenho uma nova perspetiva sobre aquilo que sou e o meu papel no desenrolar da minha vida em relação às pessoas que me rodeiam. No entanto a minha dúvida reside em saber até que ponto isto se manterá. Até que ponto estas mudanças são irreversíveis. Estando aqui em frente a si, sinto confiança naquilo que sou e na capacidade de lidar com a minha vida, mas não o terei junto de mim sempre. Será que isso se irá perder? Estas certezas que tenho, serão elas reversíveis? " 
As dúvidas da Daniela foram tidas em atenção pelo Ricardo e este respondeu-lhe:
"Aquilo em si que duvida, na verdade não consegue entender aquilo que já mudou em si. Esse sim será reversível. A Daniela possui em si todas as respostas para fazer face a cada desafio que a vida lhe coloque em cada momento. Esse receio de não conseguir manter esse estado mais ciente de si, mais conectado à essência, é uma mera ideia representativa do medo, o medo de perda de controle. Permita-se apenas observar esses pensamentos, essas ideias que surgem. E continue a prática do autoconhecimento, do auto questionamento. É uma ginástica mental, se quiser, que requer a sua prática, a sua vontade de persistir e desse modo cimentar as mudanças de perceção que ocorrem em si. Quanto mais pratica, mais confortável fica e mais confiança coloca nos efeitos que vai sentido. Uma vez ampliado o seu nível de consciência ele já não volta ao nível anterior. Abrindo a sua mente, esta já não volta a fechar, a regredir. Logo confie, acredite que o que tiver de ocorrer irá ocorrer e que seja isso o que for, estará preparada para lidar com isso."
"Sinto cada palavra que me diz. Cada uma dessas palavras reverbera em mim, no meu ser. Não consigo expressar totalmente aquilo que sinto, mas sei que é maior do que eu. E está sempre presente em mim uma serenidade. Por isso é que lhe expressei os meus receios de perder isto. Mas mais uma vez o que me disse trouxe ao de cima, à minha atenção essa serenidade que está sempre latente, que está sempre presente em mim, desde que iniciei este processo. Desde o primeiro workshop que fiz consigo."
Interrompendo-a Ricardo disse, "eu de verdade nada fiz, aquilo que sente, todas essas mudanças, não são resultado de nada que eu tenha feito, mas sim resultado daquilo que já existe em si. Que sempre existiu e que sempre existirá. Eu fui um mero reflexo da verdade que reside me si, um mero instrumento que apontou o caminho de regresso à verdade que é. À sua essência. Isto não significa que as dúvidas não possam surgir, que momentos de provação não voltem a surgir. Pois enquanto humanos isso é parte natural da nossa condição. Por muito conscientes da nossa essência estejamos, os limites humanos continuam a existir e é perfeito que assim seja, senão não o seria. Permita-se deixar de preocupar com o que poderá ocorrer no futuro, com a possibilidade de perder tudo aquilo que já reencontrou em si. Pois o futuro existe apenas sob a forma de pensamento, quando ele acontece é sempre presente. Apenas o agora existe. O futuro como plano útil pode ser usado, ou seja, para agendar uma reunião, para marcar uma consulta, para definir umas férias, etecetera. Já como algo que possa condicionar o seu presente ele não existe senão na forma de pensamento e tem apenas a importância e o valor que lhe dispensar. Mas aquilo que mais pode reter é que mais do que aceitar aquilo que lhe digo, mais do que entender e tentar que faça sentido para si. O que mais releva é que experimente por si, que o coloque em prática persistentemente. É através da prática, do treino que irá cimentar em si essa nova consciência de si e desse modo suplantar todos os medos. É a melhor forma de assegurar que não perde tudo aquilo que já conseguiu, porque de verdade não pode perder aquilo que sempre existiu em si, que é quem é. Apenas uma ilusão de limitação a fez esquecer quem é em essência, mas como todas as ilusões, chega um momento em que estas se dissipam e apenas a verdade permanece. A essência é imutável. E aconteça o que acontecer será perfeito para si e só lhe é pedido que esteja presente, plenamente presente de corpo e alma."
"Uma certeza assoma em mim e que me faz sentir serena e confiante na perfeição da vida como ela se me apresenta, como ela se manifesta naquilo que sou, naquilo que experimento em cada momento. Como este momento aqui consigo. Sinto que não poderia estar noutro lugar qualquer senão este. Tudo se organizou para que estivesse aqui neste momento e reencontrasse quem sou de verdade. Tenho em mim a confiança redobrada que aconteça o que acontecer tudo será pelo melhor, para mim e todos os que me rodeiam.
Eu estou eternamente grata por tudo o que fez por mim."
"Aquilo que pode fazer para me agradecer é viver plenamente a vida que merece, seja sincera consigo mesma, ame-se sem condicionantes e partilhe o seu amor onde quer que vá e tudo estará sempre bem."