Olhava
ao seu redor e parecia-lhe que todas as pessoas haviam encontrado o seu lugar,
o seu caminho e no entanto ele, continuava sem saber o que fazer. Tinha a
sensação de que era um falhado por comparação com aqueles de sua geração. Seria
impossível para ele encontrar o seu lugar, interrogava-se e ainda, será que não
há propósito algum para a sua existência. Dúvidas essas que o sobressaltavam e
preenchiam a sua atenção constantemente. Então levantou-se e continuou
caminhando, havia estado demasiado tempo caído nas bermas do mundo. A vida
chamava por ele, ainda não acabou o seu tempo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
#24 Sei isso agora
A
vida ao teu lado era perfeita. Sei isso agora, naquele tempo não o sabia. Devia
ter-te dado mais valor. Tu fizeste de mim uma melhor pessoa. Sei isso agora,
sim tivemos momentos difíceis. Mas mesmo nesses momentos tu soubeste sempre
tirar o melhor de mim. Fazias-me ver a realidade das coisas, puxavas-me para a
terra e com simplicidade tudo acabava por se resolver, mesmo que os resultados
não fossem os desejados eram os necessários, dizias tu. Sei isso agora, mas
então não quis saber, não o consegui perceber do mesmo modo que tu. A minha
arrogância levou a melhor.
#23 Cuida-te agora
Ela
preferia uma mentira em surdina que enfrentar a verdade dos factos. Não sabia
porque o fazia. Seria por amor ou por medo? De qualquer forma não estava
disposta a arriscar para conhecer a resposta. E então continuava fingindo que
não sabia que ele tinha umas “amigas” e procurava ocupar a sua mente apenas na
educação e cuidado dos filhos. Até quando seria isso possível? O tempo que
fosse necessário. Mal sabia ela que apenas se enganava a si própria. A falta de
amor-próprio que cultivava via-se refletido nas suas relações. Sempre foi assim
desde os primeiros namoricos. Cuida-te agora.
#22 Rotina
Era
mais um dia como outro qualquer que se iniciava. As mesmas rotinas vezes sem
conta. A única diferença era que eles mesmos já eram parte dessa rotina, a sua
relação era uma mera rotina. O espaço de partilha, o espaço de intimidade e
cumplicidade há muito havia dado lugar a outra coisa qualquer que não sabiam
explicar. E no entanto continuavam a fazer as mesmas tarefas como se isso os impedisse
de ver a realidade que era por demais evidente para cada um deles. Não havia
mal nenhum nisso, as relações evoluem e no entanto o amor continuava lá.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
#21 Desistir de ser III
Alívio
era o que sentia, uma sensação de leveza. Mais do que leveza a melhor descrição
era ausência de peso. Era possível observar aquilo que antes considerava ser
quem era, essa personalidade com toda a sua história de vida. Tudo agora fazia
sentido, tudo encaixava perfeitamente, tal qual um puzzle bem calibrado. Nada
aconteceu fora do seu tempo, cada ação deu origem à ação seguinte e não poderia
ter sido diferente e como isso fazia sentido agora. Todas as frustrações, todo
o sofrimento sentido, não ocorreram em vão. Mas a sua vida enquanto ser humano
ainda não havia terminado. Presente.
#20 Desistir de ser II
Aquilo
que partiu foi a ideia de personalidade que ela cria ser e aquilo que ela temia
ser o fim, na verdade não era o fim de nada real. Apenas a ilusão de que algo
terminava se fez cessar. O Ser que ela era continuava a existir, mudando apenas
a amplitude da consciência que tinha de si. Deixando cair as barreiras erguidas
pelo medo, ela começava a olhar para si de verdade. O silêncio fazia-se ouvir
claramente, ele ocupava todo o espaço, até porque o espaço era apenas um conceito
de limite que não existia para lá da crença limitadora.
#19 Desistir de ser
A
vida até àquele momento tinha sido muito difícil para ela, tinha sido colocada
à prova inúmeras vezes e não aguentava mais, não podia continuar do mesmo modo.
Ela desistiu, prostrou-se em silêncio no centro do seu quarto e assim permaneceu
por tempo indeterminado. Simplesmente não queria mais saber, a agonia tinha
assomado nela e tudo era insuportável. Os meros pensamentos esventravam o seu
ser e assim não valia a pena continuar vivendo. Desistiu de qualquer vontade,
de qualquer desejo, não sabia mais o que fazer, o que dizer, para onde ir,
simplesmente não sabia. Sem noção do tempo, partiu.
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