terça-feira, 13 de outubro de 2015

#37 Aceitar as mudanças

Pequenos sinais assomavam na sua vida, mas ele preferia ignorar, não valorizar demasiado, porque na realidade ele temia imenso o que isso poderia significar. 
Não tinha coragem de partilhar com mais ninguém aquilo que se passava consigo, aquilo que esses pequenos episódios poderiam significar sobre ele próprio. 
Temia que o considerassem louco, como alguém alienado e ele não conseguia suportar a ideia de ser colocado de lado, de ser catalogado como louco, como demente. 
No entanto a vida não faz julgamentos, ela vai-nos dando pequenos sinais para que possamos em pequenos passos aceitar as mudanças que devemos experimentar e acolher.      

#36 Render-se às evidências

Ele decidiu render-se às evidências, já havia lutado muitas vezes na sua vida contra esta, tentando evitar o inevitável e em cada uma dessas situações acabou por perder, mas só depois de muito sofrimento sentido na sua pele e infligido nos envolvidos. Nada fica incólume quando se luta contra a vontade da vida, pois na verdade esta só quer o melhor para nós, ela sabe o que é o melhor para nós. Mas nem sempre vemos isso, pois não conhecemos o todo que é a nossa vida e quando nos agarramos a pequenas partes da mesma estamos a criar barreiras. 

#35 Tu decides

Mais um dia como outro qualquer, nada de especial era suposto acontecer, no entanto, nada mais ficaria igual. Era um daqueles momentos definidores da tua vida, que mudam tudo, aquilo que tinhas como certo, como garantido deixa de o ser. E só te restam duas alternativas, ou lutas para tentar que tudo permaneça igual, ou então cedes às evidências e permitas que o novo se instale e te leve onde tens de ir. É uma escolha que mais ninguém pode fazer por ti, os outros podem ter muitas opiniões sobre o que é o melhor para ti, mas tu decides.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

#34 Aquele que observava não era ele

Olhando para o ecrã vendo um reflexo das ideias que pululam na mente, sem saber distinguir entre aquilo que é reflexo e o que é projetado. 
Onde começa o real? Interrogava-se. Existiria de verdade o real, ou era tudo ilusão? Resolveu investigar, permaneceu estático, observando os pensamentos que surgiam em catadupa. Mas desta vez não os seguia, apenas reparava como surgiam, acabavam por partir. 
Enquanto observava reparou que havia algo anterior ao que observava. Aquele que observava também não era ele, pelo menos não era apenas isso. Os pensamentos haviam já perdido a sua atenção, estava presente mergulhado no silêncio.

#33 Amigos da Alma

O mundo acabou neste momento. 
Acabou para mim que deixei o mundo dos vivos. Na verdade estou mais vivo agora do que alguma vez estive. Deixei as roupas físicas, livre do peso das memórias limitadas que carregava. 
Entendo agora que todo o sofrimento resultou desse apego às ideias feitas, dessa necessidade de controlo sobre tudo o que era a minha vida e quem dela fazia parte. Na verdade nunca sofri apenas cria na estória desse sofrimento. 
Estou grato a todos quantos me fizeram sofrer, aprendi muito sobre quem sou através deles. Era esse o acordo com esses amigos da alma.

#32 Opiniões

Não sou bom o suficiente para ti, disse-lhe ele. É hora de te libertar das minhas limitações e permitir que encontres a felicidade nos braços de alguém que te faça feliz como mereces. 
Ela respondeu, isso cabe a mim decidir se sou feliz contigo ou não. Se há coisa que aprendi após estes anos todos ao teu lado é que a felicidade nada tem a ver com as pessoas que nos rodeiam e que o maior obstáculo a descobrir a felicidade são as opiniões que criamos sobre as outras pessoas e o que achamos que é o melhor para elas.

#31 O brilho nos seus olhos

Ele via nela a sua fragilidade aparente que os outros tomavam como fraqueza, mas ele sabia que ela era a pessoa mais forte de toda a comunidade. 
Saber ser vulnerável está ao alcance apenas dos fortes. 
Ter a capacidade de ver que o mundo é imenso e sendo nós uma pequena gota desse imenso oceano da vida, de nada serve remar contra a maré, tentando que os outros se comportem como achamos que se devem comportar. 
Ela sabia isso, por isso nunca lhe havia ouvido critica alguma sobre quem quer que fosse. O brilho nos seus olhos eram uma constante.