“Não
vales nada”, “És um falhado”, “ O mundo não precisa de ti para nada, podes
desaparecer que ninguém nota”. Estes pensamentos seguiam-se em catadupa na
mente dele e ocupava toda a sua atenção, fazendo-o sentir-se cada vez mais
pequeno, mais insignificante, a pressão no seu peito aumentava, como que o
asfixiando, a visão estava turba, tudo parecia rodar. Uma sensação de medo
tomava conta dele, seria isto a morte, interrogava-se. Seria este o seu fim?
Deixou-se cair no pavimento que sustinha o seu corpo, ainda estava consciente
daquilo que passava, das sensações que afloravam em si. Queria desistir. Entregou-se.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
terça-feira, 5 de julho de 2016
#93 Perder o chão
Aquela
que está a ouvir estas palavras não existe, procura por ela e verás que não
existe. Estas foram as palavras dele que a fizeram perder o chão interno,
literalmente. Tudo aquilo que ela acreditava ser, cessara naquele momento. O
que antes seria um terror para ela enfrentar, pois a sua personalidade era o
que ela mais valorizava e só a ideia de perder tal identidade era inconcebível
para ela, agora pereceu e o que resultou daí não foi o fim, mas sim um novo
começo, uma nova relação com aquilo que julgava ser a sua vida. Ela é vida.
#92 Ela é vida
Aquilo
que ela acreditava ser revelava-se agora como a ilusão que sempre fora. Ilusão
essa criada por si, alimentada pela sua atenção e projetada na sua realidade
externa que se limitava a comprovar aquilo que ela criara e como fora ela que
criara não tinha como não acreditar nas provas que criara. Esse ciclo
incessante ilusório era agora evidente para ela, uma vez que conseguira sair do
ciclo e observá-lo desde o espaço de consciência que é. Nada existe fora da
consciência que é, ela sabe que o mundo não existe fora de si, ela é o mundo, é
vida.
#91 Reparar na verdade
Os
pensamentos eram incessantes, surgiam em catadupa na sua mente e ela sentia que
se estava a perder, que estava a ficar louca. Só que algo nela incutia-lhe uma
calma serena que lhe garantia que tudo estava bem, que nada havia a temer. E
com essa sensação ela entregou-se à experiência que estava a viver. O que
surgiu de seguida foi um distanciamento entre os pensamentos que havia estado
imersa até então e como que se via a planar sobre esses pensamentos, e tal como
surgiam, partiam. Os pensamentos aconteciam nela, ela era o espaço que os permitiam
acontecer livremente.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
#90 Olhar de forma diferente
Chega,
chega, chega, não quero sentir mais pena de mim. Estava tomada a decisão que
mudaria a sua vida, ela sabia que não lhe interessava mais viver como sempre
havia vivido até então. Só problemas e mais problemas e sempre sentindo-se indefesa,
impotente para agir e resolver o avolumar de problemas que explicavam a sua
existência. Se a vida lhe dava essas situações então alguma utilidade elas
teriam e em vez de as rejeitar como sempre fez, ela decidiu olhar para elas de
forma diferente, procurando ver essas situações tal como eram e não como
ataques pessoais para seu mal.
#89 Ciclo incessante
A
dor rasgava a sua presença na vida, queria que desaparecesse, que terminasse,
de uma forma ou de outra, o que ela queria era o fim de tal dor ou então que
terminasse a sua vida, nada mais fazia sentido, nenhum propósito a mantinha
desejando viver. Cada recanto do seu ser berrava de dor, cada centímetro do seu
existir clamava que cessasse. O que teria feito que justificasse tal
sofrimento, que mal teria realizado para merecer tal castigo. Tudo ideias que
inundavam a sua mente e no entanto eram essas ideias o alimento da dor que
sentia, num ciclo incessante.
#88 Insuportável
Houve
um momento onde se deu o click, aquilo que antes lhe parecia insuportável era
agora visto como suportável, porque de facto o estava a suportar, ela estava a
lidar com a situação, ainda não tinha morrido, então estava a suportar aquilo
que antes lhe parecia insuportável e essa ideia ressoou dentro dela de uma
forma clara. A única diferença não era a situação que continuava a existir de
igual modo e sim o modo como ela via essa situação. Sendo aparentemente um pormenor
fazia uma imensa diferença no modo como se sentia perante a situação. Nada mais
seria igual.
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