terça-feira, 31 de maio de 2016

#72 Relembrar

Quando se desiste na verdade não significa que seja o fim, mas sim é o início de um novo tempo na relação consigo próprio, isto porque a vida nunca desiste de nós, a vida continua segurando as pontas com carinho, esperando que estejamos preparados para relembrar quem somos de verdade. Quando não parece haver mais saída, entregamos ao destino a nossa existência, exauridos de forças para tentar forçar a realidade para que ocorra como queremos que ela seja, o que acontece depois não é o término, mas sim uma libertação. Um relembrar que somos mais do que pensávamos ser. Plenitude.

#71 Queda

Estava decidida a fazer uma pausa, na verdade não tinha escolha pois as forças que ainda possuía haviam-se esvaído, a gota de água que fez transbordar o copo da sua resistência foram as palavras daquela que tinha como sua melhor amiga, quando esta lhe disse simplesmente não te aturo mais, estás impossível. Logo ela a quem tanto ajudara nos seus momentos menos bons e foram tantos esses momentos.  Agora virara-lhe as costas. Ingrata, pensou ela, quando precisares escusas de me procurar. E entregou-se a ter pena de si própria, culpando tudo e todos pela sua falta de sorte. Deixou-se cair.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

#70 Viver sem ti

Sem ti não quero mais viver. A vida termina a partir do momento em que me deixes, tu és a minha razão de viver. Disse-lhe ela, com os olhos marejados de lágrimas. Para, consegues escutar o que ditas boca fora. Tens noção do quão desorientada estás e que nada do que dizes faz sentido para mim. Respondeu-lhe ele. A tua chantagem emocional não me aprisiona mais. Deixei de ter pena das tuas teatralidades, a peça que levas a cena constantemente, já não entra em mim. Não tem reflexo algum naquilo que sinto por ti. Continuou ele sem sombras de remorso.

quarta-feira, 30 de março de 2016

#69 Liberdade

Uma dor aguda emergiu no seu corpo, normalmente teria de se fechar no seu quarto e desaparecer do mundo, até que a dor a abandonasse. Nada, nem ninguém a podia ajudar. Até agora. Ela havia tomado uma decisão de se libertar de tal prisão, o seu limite havia sido atingido. Estava farta de se submeter ao poder da dor. Agora escolhia enfrentar a dor, ver até onde chegava o seu limite. Permitiu-se observar a dor, de que modo se manifestava no seu corpo, que intensidade tomava essa dor. Conseguiu descolar da dor, ela estava lá, mas não a dominava. Liberdade.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

#68 Dentro

Ela descobriu o amor-próprio, resultado de inúmeras desilusões amorosas, umas apenas platónicas, outras não correspondidas e uma tentada e falhada. Ela já havia desistido de encontrar alguém que a amasse tal como ela se disponibilizava para amar. Para ela amar só era possível de corpo inteiro, entregava-se totalmente, daí que tenha sofrido tanto por amor. Sabia agora que não era assim, o que a fazia sofrer era essa sensação de incompletude, sensação de falta que projetava no outro na esperança que a completasse. Aprendeu que ninguém teve culpa pela sua falta de amor, pois ele sempre esteve dentro de si. 

#67 Amor não correspondido

Todo o amor não correspondido aponta para o verdadeiro amor e esse amor reside dentro de cada ser humano. É essa a sua essência. Como tal todo o amor correspondido é uma ilusão divergente da atenção do que é essencial, enquanto acreditarmos que outra pessoa nos pode dar o amor que cremos faltar, mais iludidos sobre quem somos estamos. A desilusão amorosa é um encurtar do caminho para a verdade. Seguindo esse caminho o quanto antes, mais livre ficamos para viver em pleno o amor que somos. Amor esse que nada exige, nada necessita e tudo partilha, seguro de si.

#66 Pulsão interior

Nada é suficiente quando desconhecemos quem somos de verdade. Essa ânsia por ser mais, por encontrar um amor real, leva a uma busca incessante. Cada rosto é perscrutado na tentativa de encontrar a tal, a tão almejada cara-metade. Pura ilusão, pois cara alguma existe pela metade, mas como esquecemos isto, a busca torna-se perene. Mesmo quando encontramos alguém que se voluntaria, ainda que inconscientemente, para representar esse papel, de alguém que nos completa, rapidamente essa pulsão interior faz emergir a busca. Não tem fim tal situação até que nada mais reste a não ser o próprio e as suas ideias.