Sem
ti não quero mais viver. A vida termina a partir do momento em que me deixes,
tu és a minha razão de viver. Disse-lhe ela, com os olhos marejados de
lágrimas. Para, consegues escutar o que ditas boca fora. Tens noção do quão
desorientada estás e que nada do que dizes faz sentido para mim. Respondeu-lhe
ele. A tua chantagem emocional não me aprisiona mais. Deixei de ter pena das
tuas teatralidades, a peça que levas a cena constantemente, já não entra em
mim. Não tem reflexo algum naquilo que sinto por ti. Continuou ele sem sombras
de remorso.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
quarta-feira, 30 de março de 2016
#69 Liberdade
Uma
dor aguda emergiu no seu corpo, normalmente teria de se fechar no seu quarto e
desaparecer do mundo, até que a dor a abandonasse. Nada, nem ninguém a podia
ajudar. Até agora. Ela havia tomado uma decisão de se libertar de tal prisão, o
seu limite havia sido atingido. Estava farta de se submeter ao poder da dor.
Agora escolhia enfrentar a dor, ver até onde chegava o seu limite. Permitiu-se
observar a dor, de que modo se manifestava no seu corpo, que intensidade tomava
essa dor. Conseguiu descolar da dor, ela estava lá, mas não a dominava.
Liberdade.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
#68 Dentro
Ela
descobriu o amor-próprio, resultado de inúmeras desilusões amorosas, umas
apenas platónicas, outras não correspondidas e uma tentada e falhada. Ela já
havia desistido de encontrar alguém que a amasse tal como ela se
disponibilizava para amar. Para ela amar só era possível de corpo inteiro,
entregava-se totalmente, daí que tenha sofrido tanto por amor. Sabia agora que
não era assim, o que a fazia sofrer era essa sensação de incompletude, sensação
de falta que projetava no outro na esperança que a completasse. Aprendeu que
ninguém teve culpa pela sua falta de amor, pois ele sempre esteve dentro de si.
#67 Amor não correspondido
Todo
o amor não correspondido aponta para o verdadeiro amor e esse amor reside
dentro de cada ser humano. É essa a sua essência. Como tal todo o amor
correspondido é uma ilusão divergente da atenção do que é essencial, enquanto
acreditarmos que outra pessoa nos pode dar o amor que cremos faltar, mais
iludidos sobre quem somos estamos. A desilusão amorosa é um encurtar do caminho
para a verdade. Seguindo esse caminho o quanto antes, mais livre ficamos para
viver em pleno o amor que somos. Amor esse que nada exige, nada necessita e
tudo partilha, seguro de si.
#66 Pulsão interior
Nada
é suficiente quando desconhecemos quem somos de verdade. Essa ânsia por ser
mais, por encontrar um amor real, leva a uma busca incessante. Cada rosto é perscrutado
na tentativa de encontrar a tal, a tão almejada cara-metade. Pura ilusão, pois
cara alguma existe pela metade, mas como esquecemos isto, a busca torna-se
perene. Mesmo quando encontramos alguém que se voluntaria, ainda que
inconscientemente, para representar esse papel, de alguém que nos completa,
rapidamente essa pulsão interior faz emergir a busca. Não tem fim tal situação
até que nada mais reste a não ser o próprio e as suas ideias.
#65 Insatisfação
A
realidade em que vivia era insatisfatória, o que quer que trouxesse algum ânimo
à sua existência era passageiro, em pouco tempo desvanecia tal satisfação e o
que relevava com mais força era essa insatisfação crónica. Como era difícil
viver a rotina do dia-a-dia quando tudo se tornava escasso, quando tudo ficava aquém
do seu padrão de exigência. Nada parecia poder solucionar tal busca incessante
por algo que fizesse, pelo menos diminuir tal insatisfação. Por mais que
tentasse nada havia resultado. Um dia porém, um estranho dirigiu-se a ela e
disse-lhe a paz que procura reside dentro de si, liberte-a.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
#64 Estória
A
dor perpassava todo o seu corpo, não havia pedaço dela em que a dor não se
fizesse sentir. Mas o pior desta dor é que ela não é uma dor física, ela é
inteiramente mental. E no entanto faz-se sentir de múltiplas maneiras nela. Sem
saber mais o que fazer, como lidar com tal dor, ela havia decidido desligar-se
do mundo. Fechando-se no seu quarto, enroscando-se em torno da dor que sentia,
ela permitiu-se entregar à dor. Resolveu viver cada sensação, observar como se
manifestava ao longo do seu corpo. Algo mudou, percebeu que tudo era uma
estória acontecendo.
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