sexta-feira, 6 de novembro de 2015

#50 Insanidade

Insanidade é pensar-se que se é são quando ignoramos quem somos de verdade e acreditamos ser um mero humano calcorreando os caminhos já por outros percorridos, sem nos questionarmos porque o fazemos. É mergulhar nas rotinas e fazer sempre o que já foi feito milhares de vezes e alimentando a insatisfação por não conseguirmos aquilo que tanto desejávamos. Insano é procurar o amor em todos os lados menos no único lugar onde ele se encontra de verdade porque para ir a esse lugar teríamos que mergulhar na essência do que somos, atravessando para lá chegar a escuridão da personalidade ignorada.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

#49 Desconforto

Normalmente ela fugiria de qualquer estranho que se dirigisse a ela e muito mais que lhe dissesse algo parecido com um sermão como aquele que ouvira. No entanto neste caso não havia sentido como uma intromissão, como se fosse uma invasão de alguém estranho tentando falar do que desconhecia. Não sabia como explicar tal sensação, mas para ela as palavras daquele homem, que nunca havia visto antes, faziam pleno sentido. De facto evitava ficar só com os seus pensamentos, evitava mergulhar fundo em si, pois o desconforto que aflorava era de tal intensidade que temia perder-se e não mais regressar.

#48 Sinal

Toda essa profundidade negra que evita lidar dentro de si, é um tumulto à espera de acontecer. Mais cedo ou mais tarde terá de o enfrentar, pois não pode adiar a sua vida colocando-a em suspensão. Por muito que tente encontrar distrações que a levem para longe dessa realidade interna, ela estará sempre ai. E tudo começa por uma simples escolha de se amar, escolha o amor e saberá como lidar com o que quer que esteja ai dentro e que procura evitar. Digo-lhe isto não porque saiba o que é o melhor para si, mas apenas como um sinal. 

#47 Ame-se

Dirigir a palavra a outra pessoa estranha ainda era algo desconfortável para ele, mas neste caso a sua intuição empurrava-o para falar com aquela mulher. Não sabia porquê, mas tinha que o fazer. Ao chegar junto a ela colocou de lado os seus pensamentos de timidez e entregou-se ao momento, permitindo que as palavras encontrassem o seu caminho e fluíssem da sua boca, vindas sabe lá de onde. Começou por pedir desculpa pela abordagem, continuou dizendo “sei que não me conhece de lado algum mas a minha intuição induz-me a partilhar consigo que este é o momento de se amar".

terça-feira, 27 de outubro de 2015

#46 Encontro

O encontro era inevitável, acredite-se ou não no destino, ele tinha de ocorrer. O sofrimento dela era visível à distância, era impossível que não o visse. Agora que estava mais familiarizado com o seu dom de ver os sentimentos, mais em paz consigo mesmo. Escapar à visão de tal negrume, tal volteio de tonalidades de negro, era algo que não era opção. Tinha de lhe dirigir a palavra, sem querer parecer metediço, sentia que era o seu dever falar com aquela mulher que caminhava na sua direção. Algo o puxava para ela, não conseguia desviar a sua atenção desse Ser.

#45 Mundo interior

Era chegada a hora de colocar um fim a essa fuga de si mesma e enfrentar a realidade do seu sofrimento. Ela não acreditava ser merecedora de felicidade. Achava que estava destinada a sofrer, não se achava digna de viver o amor. Tinha que se resignar às vontades dos outros em busca da sua atenção, ainda que essa atenção fosse desprezo e violência. No entanto achava isso melhor que nada, melhor que lidar com esse sofrimento que a consumia por dentro e que não queria enfrentar. Qualquer desconsideração externa era um bálsamo que a afastava do seu sofrido mundo interior. 

#44 Fim inevitável

A sensação de incompletude era constante, ela sentia que lhe faltava algo que a completasse. Até então tinha procurado nos seus relacionamentos encontrar esse algo que acreditava faltar-lhe, no entanto sem sucesso. Os seus relacionamentos terminavam sem que essa sensação fosse preenchida. Sim durante algum tempo a ilusão de plenitude fazia-se sentir, inebriada pela ideia de um amor verdadeiro, que agora sabia que era uma projeção, do seu desejo, na outra pessoa. E quando a ilusão dissipava o vazio batia com força e ai tomava lugar as diferenças, onde os defeitos cresciam a olhos vistos até ao fim inevitável.