terça-feira, 8 de setembro de 2015

#23 Cuida-te agora

Ela preferia uma mentira em surdina que enfrentar a verdade dos factos. Não sabia porque o fazia. Seria por amor ou por medo? De qualquer forma não estava disposta a arriscar para conhecer a resposta. E então continuava fingindo que não sabia que ele tinha umas “amigas” e procurava ocupar a sua mente apenas na educação e cuidado dos filhos. Até quando seria isso possível? O tempo que fosse necessário. Mal sabia ela que apenas se enganava a si própria. A falta de amor-próprio que cultivava via-se refletido nas suas relações. Sempre foi assim desde os primeiros namoricos. Cuida-te agora.

#22 Rotina

Era mais um dia como outro qualquer que se iniciava. As mesmas rotinas vezes sem conta. A única diferença era que eles mesmos já eram parte dessa rotina, a sua relação era uma mera rotina. O espaço de partilha, o espaço de intimidade e cumplicidade há muito havia dado lugar a outra coisa qualquer que não sabiam explicar. E no entanto continuavam a fazer as mesmas tarefas como se isso os impedisse de ver a realidade que era por demais evidente para cada um deles. Não havia mal nenhum nisso, as relações evoluem e no entanto o amor continuava lá.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

#21 Desistir de ser III

Alívio era o que sentia, uma sensação de leveza. Mais do que leveza a melhor descrição era ausência de peso. Era possível observar aquilo que antes considerava ser quem era, essa personalidade com toda a sua história de vida. Tudo agora fazia sentido, tudo encaixava perfeitamente, tal qual um puzzle bem calibrado. Nada aconteceu fora do seu tempo, cada ação deu origem à ação seguinte e não poderia ter sido diferente e como isso fazia sentido agora. Todas as frustrações, todo o sofrimento sentido, não ocorreram em vão. Mas a sua vida enquanto ser humano ainda não havia terminado. Presente.

#20 Desistir de ser II

Aquilo que partiu foi a ideia de personalidade que ela cria ser e aquilo que ela temia ser o fim, na verdade não era o fim de nada real. Apenas a ilusão de que algo terminava se fez cessar. O Ser que ela era continuava a existir, mudando apenas a amplitude da consciência que tinha de si. Deixando cair as barreiras erguidas pelo medo, ela começava a olhar para si de verdade. O silêncio fazia-se ouvir claramente, ele ocupava todo o espaço, até porque o espaço era apenas um conceito de limite que não existia para lá da crença limitadora.

#19 Desistir de ser

A vida até àquele momento tinha sido muito difícil para ela, tinha sido colocada à prova inúmeras vezes e não aguentava mais, não podia continuar do mesmo modo. Ela desistiu, prostrou-se em silêncio no centro do seu quarto e assim permaneceu por tempo indeterminado. Simplesmente não queria mais saber, a agonia tinha assomado nela e tudo era insuportável. Os meros pensamentos esventravam o seu ser e assim não valia a pena continuar vivendo. Desistiu de qualquer vontade, de qualquer desejo, não sabia mais o que fazer, o que dizer, para onde ir, simplesmente não sabia. Sem noção do tempo, partiu.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

#18 Só os fortes choram

“Choro para libertar as minhas emoções, não podem ser contidas dentro de mim. O choro lava os sentidos e torna-os livres para o mundo. Sei que dizem que um homem não chora. Se isso é verdade, então não sou um homem. Nem quero ser. Pois Ser algum pode ser impedido de sentir, de expressar as suas emoções. Percebes o que te digo.” “ Sim percebo-te e amo-te mais por isso. És muito homem e fazes de mim uma mulher feliz por estar ao teu lado. Por ver que não tens medo de te mostrares sem defesas. Só os fortes o fazem.”

#17 Fica comigo

“O tempo foi criado para que eu possa cuidar de ti como mereces. Para que eu possa amar cada pedaço teu, visível e invisível. Tu és o sentido da minha vida, foi para isto que nasci, para te conhecer e poder amar. Acordar ao teu lado só é igualado pelo adormecer ao teu lado. Sinto cada palavra que te digo e se achas que exagero, digo-te que são pequenas para descreverem de verdade o que sinto. A eternidade é insuficiente para te amar plenamente, tu és o universo no qual gravito. Quero-me perder nos confins do teu existir. Fica comigo”