Ela
preferia uma mentira em surdina que enfrentar a verdade dos factos. Não sabia
porque o fazia. Seria por amor ou por medo? De qualquer forma não estava
disposta a arriscar para conhecer a resposta. E então continuava fingindo que
não sabia que ele tinha umas “amigas” e procurava ocupar a sua mente apenas na
educação e cuidado dos filhos. Até quando seria isso possível? O tempo que
fosse necessário. Mal sabia ela que apenas se enganava a si própria. A falta de
amor-próprio que cultivava via-se refletido nas suas relações. Sempre foi assim
desde os primeiros namoricos. Cuida-te agora.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
#22 Rotina
Era
mais um dia como outro qualquer que se iniciava. As mesmas rotinas vezes sem
conta. A única diferença era que eles mesmos já eram parte dessa rotina, a sua
relação era uma mera rotina. O espaço de partilha, o espaço de intimidade e
cumplicidade há muito havia dado lugar a outra coisa qualquer que não sabiam
explicar. E no entanto continuavam a fazer as mesmas tarefas como se isso os impedisse
de ver a realidade que era por demais evidente para cada um deles. Não havia
mal nenhum nisso, as relações evoluem e no entanto o amor continuava lá.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
#21 Desistir de ser III
Alívio
era o que sentia, uma sensação de leveza. Mais do que leveza a melhor descrição
era ausência de peso. Era possível observar aquilo que antes considerava ser
quem era, essa personalidade com toda a sua história de vida. Tudo agora fazia
sentido, tudo encaixava perfeitamente, tal qual um puzzle bem calibrado. Nada
aconteceu fora do seu tempo, cada ação deu origem à ação seguinte e não poderia
ter sido diferente e como isso fazia sentido agora. Todas as frustrações, todo
o sofrimento sentido, não ocorreram em vão. Mas a sua vida enquanto ser humano
ainda não havia terminado. Presente.
#20 Desistir de ser II
Aquilo
que partiu foi a ideia de personalidade que ela cria ser e aquilo que ela temia
ser o fim, na verdade não era o fim de nada real. Apenas a ilusão de que algo
terminava se fez cessar. O Ser que ela era continuava a existir, mudando apenas
a amplitude da consciência que tinha de si. Deixando cair as barreiras erguidas
pelo medo, ela começava a olhar para si de verdade. O silêncio fazia-se ouvir
claramente, ele ocupava todo o espaço, até porque o espaço era apenas um conceito
de limite que não existia para lá da crença limitadora.
#19 Desistir de ser
A
vida até àquele momento tinha sido muito difícil para ela, tinha sido colocada
à prova inúmeras vezes e não aguentava mais, não podia continuar do mesmo modo.
Ela desistiu, prostrou-se em silêncio no centro do seu quarto e assim permaneceu
por tempo indeterminado. Simplesmente não queria mais saber, a agonia tinha
assomado nela e tudo era insuportável. Os meros pensamentos esventravam o seu
ser e assim não valia a pena continuar vivendo. Desistiu de qualquer vontade,
de qualquer desejo, não sabia mais o que fazer, o que dizer, para onde ir,
simplesmente não sabia. Sem noção do tempo, partiu.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
#18 Só os fortes choram
“Choro
para libertar as minhas emoções, não podem ser contidas dentro de mim. O choro
lava os sentidos e torna-os livres para o mundo. Sei que dizem que um homem não
chora. Se isso é verdade, então não sou um homem. Nem quero ser. Pois Ser algum
pode ser impedido de sentir, de expressar as suas emoções. Percebes o que te
digo.” “ Sim percebo-te e amo-te mais por isso. És muito homem e fazes de mim
uma mulher feliz por estar ao teu lado. Por ver que não tens medo de te mostrares
sem defesas. Só os fortes o fazem.”
#17 Fica comigo
“O
tempo foi criado para que eu possa cuidar de ti como mereces. Para que eu possa
amar cada pedaço teu, visível e invisível. Tu és o sentido da minha vida, foi
para isto que nasci, para te conhecer e poder amar. Acordar ao teu lado só é
igualado pelo adormecer ao teu lado. Sinto cada palavra que te digo e se achas
que exagero, digo-te que são pequenas para descreverem de verdade o que sinto. A
eternidade é insuficiente para te amar plenamente, tu és o universo no qual
gravito. Quero-me perder nos confins do teu existir. Fica comigo”
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